Por que a exposição a notícias repetidas pode aumentar a ansiedade em crianças e adolescentes 

Por: Lisa Fillipovich, Ed.D., NCSP

Quando um evento importante acontece, a cobertura noticiosa pode parecer ininterrupta. Os canais de televisão reproduzem as mesmas imagens ao longo do dia. As redes sociais espalham clipes e comentários rapidamente. As atualizações aparecem nos telefones quase que imediatamente.

Os adultos geralmente entendem que essas imagens repetidas são apenas parte de como as notícias funcionam. Crianças e adolescentes muitas vezes não o fazem.

Para crianças mais novas, ver o mesmo vídeo ou imagem muitas vezes pode fazer com que pareça que o evento está acontecendo de novo e de novo. As crianças muitas vezes levam a mídia muito literalmente. Quando eles veem a mesma filmagem repetida, eles podem pensar que o perigo ainda está acontecendo.

Exposição Secundária

Pesquisas mostram que as crianças podem reagir emocionalmente a eventos, mesmo quando não estão presentes. Apenas ver a cobertura das notícias pode causar preocupação, medo ou confusão. Quando as crianças veem imagens perturbadoras repetidas vezes, essas reações podem se tornar mais fortes.

Os psicólogos às vezes chamam isso de exposição secundária ou trauma secundário. Isso significa que as crianças sentem estresse por ouvir ou ver um evento, em vez de experimentá-lo diretamente. Estudos de desastres e eventos violentos mostraram que a exposição repetida à mídia pode aumentar a ansiedade e a angústia em crianças.

Ativação da Memória Emocional

Outra razão pela qual as notícias podem parecer esmagadoras é como elas se conectam à memória. Quando as crianças ouvem sobre algo perturbador, isso pode lembrá-las de outras vezes em que se sentiram assustadas ou inseguras. Essas memórias não precisam estar relacionadas ao evento noticioso em si. Uma criança que uma vez vivenciou uma tempestade assustadora, um exercício de emergência ou um momento assustador na escola pode de repente se lembrar desses sentimentos ao ouvir sobre algo nas notícias.

Nossos cérebros naturalmente conectam novas informações com experiências passadas. Quando algo lembra uma criança de um medo anterior, a reação dela pode ser mais forte do que os pais esperam. As crianças podem se tornar mais pegajosas, fazer perguntas repetidas, ter problemas para dormir ou parecer mais irritáveis.

 

Falta de Contexto

Outro desafio é que os clipes de notícias raramente mostram a história completa. A cobertura noticiosa geralmente se concentra nos momentos mais dramáticos. As crianças podem não entender onde o evento aconteceu, quando ocorreu ou se a situação já terminou. Sem esse contexto, seus cérebros tentam preencher as lacunas.

Os pais costumam ouvir perguntas como: “Isso poderia acontecer aqui?” ou “Ainda está acontecendo?” Essas perguntas mostram que as crianças estão tentando entender como o evento se relaciona com sua própria segurança.

Adolescentes e o Doomscrolling (rolagem infinita de notícias ruins)

Os adolescentes experimentam a exposição repetida a notícias de uma maneira diferente, mas isso ainda pode afetá-los. Muitos adolescentes não assistem às notícias da televisão da maneira como as crianças mais novas podem. Em vez disso, eles veem eventos por meio de postagens de redes sociais, vídeos curtos e bate-papos em grupo com amigos.

Por causa da maneira como os algoritmos de mídia social funcionam, os adolescentes podem ver o mesmo tipo de conteúdo muitas vezes seguidas. Quando eles assistem ou se envolvem com um clipe de notícias, a plataforma geralmente mostra mais postagens sobre o mesmo evento. Isso pode levar a um padrão às vezes chamado de doomscrolling, em que as pessoas continuam rolando informações perturbadoras sem perceber o quanto viram.

Com o tempo, esse fluxo constante de conteúdo angustiante pode aumentar o estresse e a fadiga emocional. Os adolescentes podem se sentir pressionados a continuar verificando atualizações ou lendo as reações dos outros. Mesmo quando eles querem parar, as plataformas são projetadas para continuar mostrando postagens sobre o mesmo tópico.

Como Você Pode Ajudar

Os pais podem ajudar reduzindo a quantidade de exposição repetida que as crianças têm a notícias angustiantes. Desligar as notícias de fundo é um passo simples. Mesmo quando as crianças parecem ocupadas brincando, elas geralmente ouvem e absorvem mais do que os adultos imaginam.

Também ajuda a evitar imagens gráficas ou vídeos quando possível. Quando crianças ou adolescentes veem a cobertura de notícias, os pais podem perguntar o que eles ouviram ou viram e ajudar a explicar em termos claros.

Talvez o mais importante, crianças e adolescentes olham para os adultos para entender o quão sério algo é. Quando os adultos ficam calmos e fornecem explicações simples, os jovens são mais capazes de processar o que ouvem.

Crianças e adolescentes não precisam seguir todos os detalhes das notícias. O que eles mais precisam é de um adulto de confiança que possa ajudá-los a entender o que ouviram e lembrá-los de que sempre podem fazer perguntas sobre as coisas que estão acontecendo no mundo.

Quando um apoio extra pode ajudar

Se seu filho continuar a mostrar fortes sinais de sofrimento depois de ouvir sobre eventos nas notícias, pode ajudar conversar com um profissional de saúde mental. Problemas de sono contínuos, preocupações frequentes com a segurança, perguntas repetidas sobre o evento, afastamento de atividades normais ou mudanças visíveis no humor ou comportamento podem sinalizar que uma criança precisa de apoio extra. Um conselheiro escolar, psicólogo, pediatra ou terapeuta licenciado pode ajudar as crianças a processar o que estão sentindo e fornecer orientação tanto para pais quanto para filhos. Buscar apoio cedo pode ajudar a evitar que as preocupações se tornem mais esmagadoras.

Fontes:

Associação Americana de Psicologia. (2015). Como conversar com as crianças sobre notícias difíceis.

Associação Nacional de Psicólogos da Escola. (2023). Conversando com as crianças sobre violência: dicas para famílias e educadores.

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Comer, J. S., Furr, J. M., Beidas, R. S., et al. (2014). Exposição de crianças à cobertura da mídia de eventos traumáticos e sintomas de estresse pós-traumático. Revista de Psicologia Clínica da Infância e da Adolescência.

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